8. ARTES E ESPETCULOS 5.6.13

1. LIVROS  ELES VIVEM
2. LIVROS  SOMOS TODOS FEITOS DE BITS
3. CINEMA  S VALE A EMBALAGEM
4. VEJA RECOMENDA
5. OS LIVROS MAIS VENDIDOS
6. ROBERTO POMPEU DE TOLEDO  UMA COLNIA CHAMADA BRASIL

1. LIVROS  ELES VIVEM
A inglesa Hilary Mantel faz o conselheiro Thomas Cromwell e a corte de Henrique VIII ressurgirem em carne, alma e intelecto.
ISABELA BOSCOV

     Diz Thomas Cromwell a um dos seus discpulos: "Uma vez que voc tenha esgotado o processo de negociaes e concesses, uma vez que voc se fixou na destruio de um inimigo, essa destruio deve ser rpida e deve ser perfeita. Antes mesmo de olhar em sua direo, voc deve ter o nome dele em um mandado, os portos fechados, a esposa e os amigos dele comprados, o herdeiro dele sob sua proteo, o dinheiro dele no seu cofre e o cachorro dele correndo ao ouvir o seu assovio. Antes que ele acorde, pela manh, voc deve ter o machado na mo". O principal e o mais poderoso dos conselheiros de Henrique VIII no perodo de 1532 a 1540  ano em que o rei, sempre to volvel, mandou execut-lo , Cromwell passou  posteridade como uma figura nefasta: o corvo sempre empoleirado no ombro do seu monarca, instigando e cumprindo os mais baixos desgnios deste. Quando o conselheiro anterior, o cardeal Wolsey, falhou na misso de anular o casamento de Henrique com sua primeira esposa e caiu em desgraa, foi seu protegido Cromwell quem tomou seu lugar e arrancou Catarina de Arago do trono. Foi Cromwell quem achou um meio de ento casar Henrique com Ana Bolena. E quem, quando tambm Ana falhou em dar  luz um herdeiro homem, produziu contra ela provas tenebrosas de traio e adultrio. Onze dias depois de a ambiciosa cabea da rainha ter sido separada de seu corpo magrrimo, l estava Henrique de novo no altar com a virginal Jane Seymour, sob os auspcios de Cromwell. Foi Cromwell quem desenhou a ruptura da Inglaterra com a Igreja de Roma. Foi ele quem dissolveu os monastrios e jogou a fortuna destes nos cofres do rei. Quem maquinou, quem passou por cima de todos os nobres e tomou o destino deles em suas mos, embora tivesse nascido obscuro, filho de um ferreiro violento e beberro. Mas como ele o fez, e por qu? As respostas surgem fascinantes, arrebatadoras, to urgentes como se estivessem nascendo aqui e agora, em O Livro de Henrique (traduo de Helosa Mouro; Record: 364 pginas; 49,90 reais), segundo livro de uma planejada trilogia sobre Cromwell da escritora Hilary Mantel. 
     O primeiro, Wolf Hall, lanado aqui h dois anos pela mesma editora, era j um colosso. (E os dois ganharam o Man Booker, o principal prmio literrio britnico.) Hilary escreve sempre no presente, em linguagem direta e sem afetaes de poca, mas com fidelidade intransigente aos fatos, aos costumes, s mincias do registro histrico: que ervas aromatizavam as carnes, em qual tecido um pai envolveria a filha para apresent-la ao rei, que dvidas Ana Bolena deixou com sua bordadeira (55 libras) e seu carrasco (23 libras)  no ha detalhe, por mais diabolicamente mido, que escape ao rigor da autora. Mas toda a poeira do tempo foi varrida desses detalhes e da histria a que eles pertencem. Wolf Hall e O Livro de Henrique preferem o dilogo (no qual Hilary  exmia)  descrio, e so febris no seu suspense e sua dvida: os personagens esto tomando suas decises minuto a minuto, no calor da hora, sem adivinhar as consequncias que vo se seguir a elas. E, no caso do reinado de Henrique VIII, essas decises, e suas consequncias, so dramticas. 
     Na imaginao popular, a vida de Henrique VIII  um espetculo burlesco protagonizado por um rei libertino que tinha mania de se casar e ento se livrar de suas esposas. Nessa fbula, um bom conselheiro, Thomas More, tentou conter os assanhamentos do rei, e perdeu a vida por isso; e um conselheiro astucioso, Thomas Cromwell, fez as vezes de alcoviteiro real e, mimando seu rei, reuniu uma quantidade indecente e ilegtima de poder. Inspirada por historiadores que h algumas dcadas comearam a rever o papel de Cromwell, Hilary fez sua prpria e exaustiva pesquisa. Extrai da histria um Thomas More hipcrita, covarde e sdico, e um Thomas Cromwell igualmente desconhecido do pblico: um estadista que,  medida que negociava tanto para apaziguar seu rei como para assegurar algum equilbrio para a Inglaterra no cambiante cenrio global de ento (Inglaterra e Franca viviam s turras, como desde sempre; e a Espanha se tornara uma superpotncia com o ouro das Amricas), ia fazendo uma ampla reforma legislativa. A qual, ao fim e ao cabo, limitou de tal maneira o poder real que, quando a princesa Maria, filha de Henrique e Catarina de Arago, assumiu o trono e tentou reconduzir a Inglaterra ao catolicismo, percebeu que suas mos estavam atadas: o ministro (que ela detestava) havia livrado a Inglaterra do risco do absolutismo desptico, que tanto sangue faria derramar nos sculos seguintes. 
     O leitor no britnico pode ou no se entusiasmar com as conquistas do estadista (so inmeras, e incluem a cobrana de imposto dos muitos ricos para garantir benefcios essenciais aos muito pobres). Mas  difcil que resista ao retrato fascinante que Hilary Mantel vai compondo do homem. Wolf Hall cobre vrios anos da histria do personagem  comeando por sua infncia de esmagadoras pobreza e ignorncia, uma situao da qual era virtualmente impossvel, ento, algum se alar. Mostra Cromwell aprendendo a exercitar seus msculos diplomticos e conhecer seus talentos, e sofrendo lutos intensos. Mostra-o, sobretudo, descobrindo como manusear o poder e como equilibrar-se sobre a afiadssima navalha que era o temperamento de Henrique VIII. J O Livro de Henrique  drasticamente distinto em tom e estrutura: abrange quase que de um flego s os nove meses entre 1535 e 1536 em que Cromwell arquitetou a substituio de Ana Bolena por Jane Seymour. Este  um Cromwell implacvel  e, ao mesmo tempo, movido por uma ternura insuspeita e por um belssimo senso de responsabilidade para com sua famlia, seus discpulos, sua nao. Para com os homens comuns, acima de tudo, entre os quais nascera e, no obstante sua posio, preferiu viver. Diz Cromwell sobre si mesmo, a certa altura, que os que no o conhecem no gostam dele; mas s uns poucos dos que o conhecem continuam a faz-lo. No h leitor que, tendo atravessado as 952 pginas de Wolf Hall e O Livro de Henrique, possa discordar.

"SE QUERO ESCREVER, OUO"
Em entrevista a VEJA, Hilary Mantel, 60, discute a obsesso contempornea com a famlia real, diz por que no tolera Margaret Thatcher e fala de fantasmas e de sua afinidade com Thomas Cromwell. 

Em Wolf Hall e O Livro de Henrique,  como se tudo estivesse no ar: a sensao  que no apenas os personagens, mas tambm a senhora, ignoram o que vo fazer e o que est por vir. Por que meios um autor esconde de si mesmo seu conhecimento? 
Escrever fico histrica  como atuar: o ator sabe qual o destino do seu personagem porque ele est no roteiro, mas precisa fingir que no sabe, para sentir a tenso de adentrar o desconhecido e transmiti-la para a plateia  e logo o ator ter convencido a si mesmo de que nada sabe do que est por vir. Dentro de mim, tudo est acontecendo agora, desenrolando-se neste momento. E, quando vou escrever uma cena importante, gosto de sentir que estou chegando a ela pela primeira vez  como se estivesse entrando sem me anunciar num cmodo e pegando os personagens de surpresa. 

Na juventude, um psiquiatra disse  senhora que sua ambio "no era natural para uma mulher". A ambio desnatural para um homem de origem humilde  uma acusao frequente dos nobres que rodeiam Henrique VIII a Cromwell. A senhora se v em Cromwell  ou teria colocado algo de si nele? 
Em certo sentido, um escritor tira todos os personagens de dentro de si  inclusive os histricos, os que viveram de fato. Pus no texto uma pequena blague: como Cromwell no sabia a data de seu nascimento, ele no tinha um horscopo  e, assim, segundo se acreditava, tambm no tinha um destino traado. Dei a ele, ento, o meu horscopo.  um pequeno lembrete de que, embora ele seja to real quanto voc e eu,  tambm uma inveno minha, feita de pedaos do meu passado. E, pelo jeito, do meu futuro, que ele tanto est influenciando. 

 mais fcil ou mais difcil fazer isso com uma figura como Cromwell, cuja biografia  to pouco conhecida? 
 inevitvel: s posso cerzi-lo com os retalhos que tenho  mo, e os registros histricos conduzem um autor s at um certo ponto do caminho. No caso de Cromwell, que no deixou dirios nem cartas pessoais e que nunca, jamais, baixava a guarda, tudo o que se tem so representaes dele por parte de terceiros. Como reflexos num espelho  e reflexos distorcidos, se a pessoa que est segurando esse espelho se inclina mais para l ou mais para c. 

A trilogia de Cromwell j consumiu anos de sua vida, e consumir outros ainda at estar completa. Que sentimentos  preciso nutrir por um personagem para envolver-se assim com ele? 
O autor de fico, da mesma forma que o bigrafo, tem de encontrar um personagem com o qual possa trabalhar e conviver. No  preciso gostar dele  mas ter afinidade com ele, isso, sim,  necessrio. Os personagens nascidos com as vantagens da posio e do dinheiro nunca me interessaram: eu gosto  das pessoas que sobem por conta prpria e deixam esses personagens para trs. A ambio, que os Tudor viam como um vcio, de fato me interessa. Sinto que tambm trilhei um longo caminho desde as minhas origens. Foi bem mais fcil para mim que para as pessoas do passado, claro. Mas, ainda assim, voc precisa querer essa mudana. E tem de saber acomodar suas origens: v-las no como uma fraqueza, algo de que se envergonhar, mas como uma fora. 

Uma pessoa de origem humilde que reuniu um imenso poder e, cercada de antipatia, ainda assim mudou os rumos de uma nao: a senhora se ofenderia com a observao de que Cromwell, s vezes, faz lembrar Margaret Thatcher? 
Embora Thatcher tivesse muitos admiradores aqui, j notei que os estrangeiros parecem admir-la bem mais do que ns, as pessoas que ela governou, talvez porque captemos certos sinais nela que consideramos profundamente irritantes. Os ingleses, como se sabe, tm um sentido aguado de classe social, e Thatcher, embora afirmasse ter orgulho de ser filha de um dono de mercearia, viveu consumida pela inveja de classe. Inclusive tentou, sem sucesso, alterar seu sotaque, para soar como um membro das classes altas  o que, para ns,  cmico. Para mim, ela era uma filistina e uma hipcrita, uma mulher sem empatia e sem nenhum interesse intelectual. Ela apelava aos piores elementos da psique nacional  o jingosmo e a xenofobia, a inveja e a ganncia. Tudo isso faz dela o oposto de Cromwell, que era cosmopolita e culto, visionrio e criativo, e que, quando lhe sugeriram usar o braso de uma antiga famlia tambm chamada Cromwell, recusou: "Eu no usaria o manto de outro homem, sob o risco de que ele se levante e o arranque de mim". 

A senhora foi alvo de ataques ao escrever que a sanha com que se vigia at a pessoa fsica dos membros da famlia real  com que se discute, por exemplo, a barriga de Kate Middleton   indecente. Mas seria possvel narrar a histria de Henrique VIII sem mencionar todos aqueles detalhes sexuais e procriativos? 
O corpo fsico do monarca j foi, sim, de suma importncia para o sdito. Cromwell sabia tudo dos movimentos intestinais de Henrique e do que ele fazia com quem na cama  uma decorrncia da noo mstica de que um rei saudvel  um reino saudvel. Hoje em dia, porm, essa fantasia j no faz o menor sentido. No importa a mnima se o monarca e sua corte so saudveis ou doentes, magros ou gordos. Sim, a rainha e seus familiares so pessoas pblicas; mas, se fssemos capazes de v-los como seres humanos, simplesmente, acho que nos poramos no caminho de uma sociedade mais igualitria e racional. E quem sabe um dia perceberamos que podemos viver sem essas noes de aristocracia e hierarquia, sem a deferncia pelo bero e pela fortuna, sem a idolatria s grifes. Seria um avano. 

Em sua autobiografia, a senhora diz que viveu a infncia rodeada de fantasmas. Voltou a ter essa sensao escrevendo sobre Cromwell? 
Quando quero escrever, ouo. A voz no est do lado de fora: o transporte  para um lugar muito recndito no meu interior, onde os personagens vivem. Na minha imaginao,  como se as palavras j existissem: eu tenho apenas de capt-las. Enfim, no, no acho que fui visitada por fantasmas enquanto escrevia. Embora eu realmente acredite que a experincia dos nossos sentidos, o nosso universo percebido e concreto, no passa de uma frao da realidade. Desde criana penso que existem lugares em que as portas da percepo foram deixadas entreabertas, e que a membrana que separa as diferentes verses da realidade  mais fina em certos pontos. Que pode haver vazamentos acidentais. Eu no saberia como provoc-los, porm, e no estou muito segura de que existam pessoas que saibam faz-lo. 

Por que a senhora descreveu esses dois livros como trabalhos da maturidade? 
Eu no diria que a minha viso da histria amadureceu. S que estou com 60 anos e, quando olho para o meu passado, eu o vejo mudando atrs de mim. Tenho o benefcio da experincia. O mesmo est se passando com Cromwell, que morreu aos 55. Eu hoje no seria capaz de escrever Sombra da Guilhotina, meu primeiro romance: toda aquela esperana, aquele idealismo da Revoluo Francesa. So coisas que eu entendo intelectualmente, mas no sinto dentro de mim, como sentia aos 22 anos. 


2. LIVROS  SOMOS TODOS FEITOS DE BITS
O americano James Gleick explica como a informao deixou de ser uma entidade abstrata para se tornar a realidade mais palpvel do mundo contemporneo.
RINALDO GAMA

     Ela est em toda parte. J se tornou clich dizer que a sociedade contempornea vive sob o imprio da informao. Mas, exatamente por conta dessa incmoda proximidade, dessa onipresena com ares de onipotncia, sua definio  difcil. Diante de algumas possveis e insuficientes respostas  notcia? (nem sempre); conhecimento? (s vezes); sabedoria? (quase nunca) , fica logo claro que se est diante de uma daquelas palavras difceis de explicar, ainda que todos entendam o seu significado. "A informao  aquilo que alimenta o funcionamento do nosso mundo: o sangue e o combustvel, o   princpio vital", escreve o jornalista americano James Gleick no prlogo de seu ambicioso empreendimento na busca da tal explicao acabada. Em A Informao (traduo de Augusto Calil; Companhia das Letras; 512 pginas; 59,50 reais, ou 34,50 na verso eletrnica), que chega s livrarias brasileiras dois anos depois de sair nos Estados Unidos, o autor lana um olhar de longussimo alcance sobre a trajetria da comunicao humana: das pinturas paleolticas de 30.000 anos atrs at o Google, a Wikipedia e o Twitter (veja o quadro). Num percurso mais ou menos cronolgico, ele passa pelos tambores africanos, a inveno do alfabeto, o telgrafo, o telefone, a televiso, a internet. Ante a amplitude e complexidade de seu assunto, Gleick no chega a dar uma definio explcita de informao  mas esta emerge da intrincada rede que se tece ao longo do livro. Graduado em ingls e lingustica pela Universidade Harvard, Gleick trabalhou como reprter e editor no The New York Times, cobrindo cincia e tecnologia, e escreveu biografias dos fsicos Isaac Newton e Richard Feynman. Tudo isso o habilitou a se sair bem em seu projeto de maior envergadura, no qual a Histria, assim, com h" maisculo,  vista como "a histria da informao adquirindo conscincia de si mesma". Atento ao tamanho do desafio que se impusera, o autor procurou equilibrar em sua obra passagens predominantemente tericas com um conjunto de anedotas e personagens atraentes. Em razo disso, A Informao abriga dois nveis de leitura  o que significa que mira em dois tipos de leitor. H pginas rigorosamente complicadas   para quem no se sente  vontade com logaritmos, lgica e fsica. Em compensao, no meio de vultos clebres como Samuel Morse, Albert Einstein e Marshall McLuhan, o autor tira da quase obscuridade  a no ser para iniciados  uma galeria de personalidades extraordinrias. 
     Numa espcie de sntese dessas duas frentes, o livro comea nos laboratrios da Bell, nos Estados Unidos, em 1948, quando a empresa anunciou a inveno do transistor  e tambm publicou, em sua revista tcnica, a monografia "Uma teoria matemtica da comunicao", na qual aparecia, pela primeira vez, a palavra bit, cunhada por Claude Elwood Shannon (1916-2001), engenheiro e matemtico doutorado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Gleick no deixa de registrar que o transistor ps a tecnologia "no rumo da miniaturizao e da onipresena". Mas era "apenas um equipamento". J a concepo do bit (de binary digit, dgito binrio, 0 ou 1). unidade criada para quantificar a informao, representou   uma inveno mais radical. A teoria decorrente dela iria levar "aos computadores, ao ciberespao e a todas as empresas pontocom do mundo". 
     Shannon  quem mais se aproxima do status de protagonista de A Informao. O tambm matemtico Alan Turing (1912-1954)  que se matou aps ser preso por homossexualidade, ento um crime na Inglaterra, e submetido a um processo de castrao qumica   outro personagem de relevo. Shannon conheceu o pesquisador ingls nos laboratrios da Bell e com ele trocou impresses sobre o futuro das "mquinas pensantes artificiais". O livro observa que, ao apresentar a Teoria Matemtica da Comunicao. Shannon teve de ser duro: "Ele simplesmente declarou que o significado (o contedo das mensagens) era irrelevante para a engenharia". Shannon, porm, no defendia uma percepo estreita da comunicao. Ao contrrio, vislumbrava, para efeito do processamento de dados, um modelo abrangente, capaz de abarcar no apenas o texto escrito e a fala, mas tambm a msica, a imagem e toda a imensa variedade de coisas que hoje se abrigam sob a palavra "informao". 
     Na poca, suas ideias enfrentaram resistncia. Hoje a toda hora se ouve falar que uma cano ou foto est "pesada" para ser transmitida: que a memria de um computador  pequena ou grande: que a conexo est lenta. Bit, bytes, megabytes, gigabytes: mensurada e processada, a informao  como ocorreu com as noes de "fora" e "massa" a partir de Newton  deixou de ser abstrata. Ela se tornou virtualmente fsica e "passou a ser encontrada em toda parte". Embora essa percepo s tenha se consolidado de fato no sculo XX, parece enganoso pensar que a onipresena da informao seja um fator exclusivo dos dias atuais. De algum modo, a informao sempre esteve por perto. Segundo John Archibald Wheeler (1911-2008), pioneiro da fisso nuclear, "todo ser deriva sua funo, seu significado, sua prpria existncia, dos bits". Somos seres de carne, osso  e informao. 

QUEM NO SE COMUNICA SE TRUMBICA
Quatro meios de comunicao na anlise de James Gleick em A Informao.

O IDIOMA DOS TAMBORES
Estudiosos que tentaram entender o cdigo usado na comunicao por tambores em tribos africanas se enredaram com uma dificuldade fundamental: os idiomas africanos no tinham escrita, que serve como um cdigo intermedirio em tcnicas modernas de comunicao (no cdigo morse, por exemplo, os sons representam letras). Os tambores so uma "metamorfose da fala", um idioma especial adaptado para a percusso, capaz de transmitir no s alertas, mas at preces, poesias e piadas.

O alfabeto
"O alfabeto  a mais redutiva e subversiva das formas de escrita", diz Gleick. Todos os alfabetos conhecidos, tanto os usados hoje como aqueles encontrados em tabuletas e pedras da Antiguidade, descendem do mesmo ancestral original, que surgiu na bacia leste do Mar Mediterrneo por volta de 1500 a.C. Os sistemas anteriores, como a escrita cuneiforme e os hierglifos, foram em geral dominados por classes especializadas de escribas ou sacerdotes. J o alfabeto de vinte e poucos signos  to simples que pode ser utilizado at por crianas

O TELGRAFO
Antes do telgrafo eltrico, o francs Claude Chappe desenvolveu, durante a Revoluo Francesa, um modelo ptico, com torres que enviavam sinais de luz para outras torres. O telgrafo eltrico foi uma revoluo nas comunicaes no sculo XIX  e j embutia uma ideia fundamental para a revoluo mais radical da informtica, no sculo XX: ao cobrarem pelo nmero de letras em uma mensagem, as companhias de telgrafo introduziram a noo de que a informao pode ser quantificada 

A INTERNET
A inabarcvel profuso de dados desta rede de redes d ao usurio a sensao de estar em um espao ao mesmo tempo "lotado e solitrio", diz Gleick. As ferramentas de busca, porm, esto cada vez mais afinadas na descoberta de sentido no meio da barafunda. O Google j conseguiu se antecipar a servios de sade na identificao de epidemias locais s com base nas buscas da palavra "gripe".


3. CINEMA  S VALE A EMBALAGEM
A nova verso de O Grande Gatsby esbanja luxo, mas esquece a fora e a substncia que fizeram do romance de F. Scott Fitzgerald um clssico do sculo XX.

     O clssico romance do escritor americano F. Scott Fitzgerald sobre a chamada "era do jazz"  um dos favoritos para adaptaes em Hollywood. Foi filme mudo em 1926, um ano depois da publicao do livro: foi drama noir em 1949, e uma fria produo nostlgica com Robert Redford e Mia Farrow em 1974. Agora O Grande Gatsby (The Great Gatsby, Austrlia/Estados Unidos. 2013), que estreia nesta sexta-feira, ganha sua verso mais reluzente  e a pior de todas, se possvel. Cortesia do australiano Baz Luhrmann, muito mais estimado como encenador de superespetculos incoerentes do que propriamente como diretor. A exemplo de suas extravagncias anteriores  Romeu + Julieta, Moulin Rouge e Austrlia , aqui tambm ele no prima pela sutileza. Tudo o que est em cena  estilizado ao mximo, nos tons mais berrantes e com volume ensurdecedor. Os anos 20, com os seus excessos art dco de festas, msica e farra,  o tipo de tentao a que Luhrmann  fraco demais para resistir: tudo tem de explodir na tela, de maneira irremediavelmente kitsch, em 3D. 
     No roteiro escrito por Luhrmann e seu colaborador habitual, Craig Pearce, o narrador do livro, Nick Carraway (Tobey Maguire), no  mais corretor da bolsa. Foi transformado em escritor aspirante internado em uma clnica de reabilitao. Enquanto escreve, conversa com o terapeuta e delira, ele relembra os acontecimentos trgicos do vero anterior, quando morava em um modesto bangal ao lado da estupenda manso do milionrio Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio). Do outro lado da baa est a grandiosa casa de outro magnata, Tom Buchanan (Joel Edgerton), cuja mulher, Daisy (Carey Mulligan), no s  prima de Nick como tambm o grande amor do misterioso Gatsby: eles viveram um romance na juventude. Mas ela no o esperou voltar da I Guerra Mundial porque, afinal, "garotas ricas no se casam com rapazes pobres". 
     Se Fitzgerald centraliza a ambio de Gatsby na busca de um sonho romntico  justamente aquilo que o dinheiro no pode comprar , a Luhrmann simplesmente falta qualquer tipo de centro. Seu nico interesse  colocar essa trama emblemtica a servio do espetculo puro e simples. Os atores ficam largados pelo caminho. O Gatsby de DiCaprio faz caretas enquanto promove baladas de msica eletrnica em sua manso  que lembra um parque temtico. Carey Mulligan no tem muito que fazer alm de posar de objeto de desejo. E Maguire parece um colegial deslumbrado com a bebida e os amigos ricos. Apesar de o melodrama se instalar na meia hora final, o filme segue o padro blockbuster de ao:  alucinante e vertiginoso  e atordoante, caricato e vazio. 
MRIO MENDES


4. VEJA RECOMENDA

CINEMA
AUGUSTINE (FRANA, 2012. ESTREIA NO PAS NESTA SEXTA-FEIRA)
 Augustine, de 19 anos, sofre uma convulso enquanto serve um jantar formal na casa dos patres: contorcendo-se no cho e gemendo, ela compe um espetculo cru de desespero e, ao mesmo tempo, erotismo. Mandada ao hospital Piti-Salptrire de Paris, chama a ateno do eminente Jean-Martin Charcot, que descobre nela uma paciente exemplar da doena que ele estuda obsessivamente  a histeria. Recriando um caso verdico da dcada de 1880, a roteirista e diretora estreante Alice Winocour faz aqui um trabalho estupendo: sutilmente transcendendo as convenes do filme de poca, com seus chiaroscuros e ambientes austeros, ela observa a complexa relao entre o mdico e a paciente de uma perspectiva contempornea, mas nunca anacrnica ou artificial. Nas interpretaes excelentes de Vincent Lindon e Soko, as constries de classe, sexo e cultura que separam o cientista respeitado da criada analfabeta vo pouco a pouco se dissolvendo,  medida que o jogo de poder entre eles primeiro se equilibra e depois se inverte: quanto mais Charcot precisa de Augustine para as grotescas demonstraes que lhe asseguram o prestgio acadmico, mais ela se assegura de si e escapa ao controle dele.

LIVROS
O AMOR DE UMA BOA MULHER, DE ALICE MUNRO (TRADUO DE JORIO DAUSTER; COMPANHIA DAS LETRAS; 374 PGINAS; 54,50 REAIS)
 "Ela estava se tornando uma dessas mulheres que escapam. Uma mulher que, de forma chocante e incompreensvel, havia aberto mo de tudo. Por amor, os observadores diriam em tom mordaz. Querendo dizer, por sexo." Assim, com uma voz que incorpora o brutal moralismo de uma pequena comunidade canadense nos anos 60,  definida a situao de Pauline, a me que larga o marido por um professor de teatro em As Crianas Ficam, um dos oito contos desta coletnea. A canadense Alice Munro, de 81 anos,  talvez a mais acabada contista da lngua inglesa contempornea. Sem nenhum proselitismo feminista, sua fico examina com doses iguais de delicadeza e argcia a vida angustiada de protagonistas femininas em grotes provincianos. Lanada em 1998 e premiada pelo National Book Critics Circle, esta coletnea s agora chega ao Brasil  em bom tempo.

DISCOS
AMOK, ATOMS FOR PEACE (LAB 344)
 Atoms for Peace  a outra banda do cantor Thom Yorke, o incensado frontman do Radiohead. Foi formada em torno dos shows promocionais de Eraser, disco-solo de Yorke. A sonoridade ao mesmo tempo envolvente e spera de Amok, porm, deve mais  seo rtmica  o baixista Flea, do Red Hot Chili Peppers, o baterista Joey Waronker e o percussionista brasileiro Mauro Refosco  do que aos vocais plangentes ou s letras fragmentrias de Yorke. Acrescentem-se a esses elementos os teclados elusivos de Nigel Godrich, produtor do Radiohead, e tem-se um disco to pulsante quanto angustiado.  msica eletrnica, mas no propriamente danante (a no ser que o ouvinte resolva arriscar aqueles passos convulsivos que o vocalista apresenta em shows e videoclipes). Trata-se de um disco para ser ouvido de preferncia com headphones, para que no se percam as complexas texturas sonoras feitas por esse time de feras. E  mais acessvel que The King of Limbs, trabalho mais recente do Radiohead.

DVD
AS VANTAGENS DE SER INVISVEL (THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER, ESTADOS UNIDOS, 2012. PARIS)
 Charlie (Logan Lennan)  introvertido, doce e inteligente, e chega ao 1 ano da high school em situao particularmente vulnervel: seu nico amigo se suicidou no ano anterior. Dois alunos mais velhos, porm, o tomam sob sua proteo  a sensvel Sam (Emma Watson) e o seu extrovertido e independente irmo postio, Patrick (o espetacular Ezra Miller). Junto com o par vm outros amigos, todos igualmente diferentes, se  que se pode dizer isso: meninas com pretenses intelectuais ou que roubam jeans em lojas sem saber por qu, rapazes metidos a artistas, outros que nunca se preocupam com nada. Amparado por esse grupo gentil e caloroso, Charlie se acalma e sobretudo descobre que no s os seus dramas pessoais podem ser demolidores. Parte da atrao do filme do diretor Stephen Chbosky (que aqui adapta o romance homnimo de sua prpria autoria, publicado em 1999) est nessa simplicidade; a outra parte, na absoluta autenticidade com que ele  capaz de evocar os sentimentos da adolescncia.

 OS MAIS VENDIDOS VEJA
Solitrio, fracassado no sonho de ser roqueiro e em recuperao do vcio em herona, James Bowen era s mais um msico de rua em Londres quando encontrou, nas imediaes do bairro de Covent Garden, um gato desgrenhado e maltratado. Segue-se uma narrativa que conjuga a ligao afetiva entre homem e bicho ( moda de Marley e Eu) a uma histria de "superao": a responsabilidade de cuidar de um felino faminto recupera um homem devastado pelas drogas. Com letras grandes e captulos curtos. Um Gato de Rua Chamado Bob (traduo de Ronaldo Lus da Silva; Novo Conceito: 245 pginas; 24,90 reais), quarto lugar na lista de no fico nesta semana, nasceu da sacada de uma agente literria que assistiu  performance de Bowen cantando Osis  na companhia de Bob. Gatos so fenmenos de audincia no YouTube. Colocar o bichano na capa  e olha s que fofo, com um cachecol!  revelou-se um negocio: mais de 250.000 exemplares vendidos na Inglaterra e sesses de autgrafos em que a patinha era a assinatura.
BRUNO MEIER


5. OS LIVROS MAIS VENDIDOS
FICO
1. Inferno  Dan Brown. ARQUEIRO
2. O Silncio das Montanhas  Khaled Hosseini. GLOBO
3. A Marca de Atena  Rick Riordan. INTRNSECA 
4. A Culpa  das Estrelas  John Green. INTRNSECA 
5. O Lado Bom da Vida  Matthew Quick. INTRNSECA 
6. Cinquenta Tons de Cinza  E.L. James. INTRNSECA 
7. Toda Poesia  Paulo Leminski. COMPANHIA DAS LETRAS 
8. Filhos do den  Anjos da Morte  Eduardo Spohr. VERUS 
9. Cinquenta Tons de Liberdade  E.L. James. INTRNSECA
10.   Cinquenta Tons Mais Escuros  E.L. James. INTRNSECA 

NO FICO
1. Sonho Grande  Cristiane Correa. PRIMWIRA PESSOA
2. Casagrande e Seus Demnios  Casagrande e Gilvan Ribeiro. GLOBO
3. Manifesto do Nada na Terra do Nunca  Lobo. NOVA FRONTEIRA 
4. Um Gato de Rua Chamado Bob  James Bowen. NOVO CONCEITO 
5. 15 Minutos e Pronto  Jamie Oliver. GLOBO 
6. Subliminar  Como o Inconsciente Influencia Nossas Vidas  Leonardo Mlodinow. ZAHAR 
7. O Castelo de Papel  Mary Del Priore. ROCCO
8. O Livro da Economia  Vrios. GLOBO 
9. Na Cozinha com Nigella  Nigella Lawson. BEST SELLER 
10. Antnio Ermnio de Moraes  Memrias  Jos Pastore. PLANETA 

AUTOAJUDA E ESOTERISMO
1. Kairs  Padre Marcelo Rossi. PRINCIPIUM
2. Eu No Consigo Emagrecer  Pierre Dukan. BEST SELLER 
3. Casamento Blindado  Renato e Cristiane Cardoso. THOMAS NELSON BRASIL
4. Uma Prova do Cu  Dr. Eben Alexander III. SEXTANTE
5. S o Amor Consegue  Zibia Gasparetto. VIDA & CONSCINCIA 
6. O Monge e o Executivo  James Hunter. SEXTANTE
7. O Mtodo Dukan  Eu No Consigo Emagrecer  Pierre Dukan. BEST SELLER
8. A Arte da Guerra  Sun Tzu. VRIAS EDITORAS
9. Nietzsche para Estressados  Allan Percy. SEXTANTE 
10. O Poder do Hbito  Charles Duhigg. OBJETIVA


6. ROBERTO POMPEU DE TOLEDO  UMA COLNIA CHAMADA BRASIL
     A transferncia de Neymar para a Espanha  assunto cujos efeitos no se limitam ao universo futebolstico. Dizem respeito a uma certa ideia de Brasil. Venceram o vezo colonizado de reverncia s metrpoles europeias e a praga subdesenvolvida de acomodar-se alegremente a uma economia de exportao de matria-prima. Nem se pode dizer, como ocorreu em outros casos, que venceu o salrio oferecido ao jogador. Neymar no ganhar muito mais do que ganhava. Se h dinheiro a rolar na transao,  mais o de representantes, empresrios, agentes (parece que h diferena entre tais figuras), "investidores" e outros atravessadores do negcio da bola, to presentes, e to milionrios, quanto foram, em outra era, os "empresrios", "agentes" e "investidores" do trfico de escravos. Os interesses no trfico prolongaram a escravido no Brasil como em nenhum outro lugar. Os interesses em torno do futebol prolongam nosso estatuto colonial e subdesenvolvido. Numa quadra da histria em que o Brasil imagina (ou imaginava) se estar elevando a outro patamar, o episdio nos puxa de volta  condio vira-lata de dcil e inconsequente subalternidade. 
     Quando, h dois anos, o Santos rejeitou ofertas do exterior e elaborou um plano financeiro para reter seu melhor jogador, parecia que soara a hora da redeno do futebol brasileiro. Esta coluna props o trofu Andrada ao presidente do clube; tal qual o Andrada do 7 de Setembro, ele trabalhava em funo de uma proclamao de independncia. O Santos no sustentou o heroico gesto. Nas ltimas semanas entregou os pontos e engajou-se numa humilhante corrida para vender o craque antes que o contrato vencesse e ele pudesse ir embora de graa. Desempenhou um papel feio, mas tem uma atenuante: estava s, na empreitada redentora. Para que ela ganhasse sustentabilidade, precisaria que outros clubes o acompanhassem e que a imprensa, tcnicos de futebol e outras vozes influentes do esporte o respaldassem. Uns e outros falharam. Os clubes continuaram a vender suas estrelas. O So Paulo, para citar um exemplo, desfez-se de Lucas. Achou a pepita? Embala e manda para Portugal. Era assim em Ouro Preto. Continua sendo assim entre os clubes de futebol. 
     Talvez mais decisiva tenha sido a atuao da chamada crnica esportiva. Nada mais oposto a seus interesses do que esvaziar o espetculo em que tem seu ganha-po. E, no entanto, em suas fileiras, forte foi a voz dos que empurravam Neymar para fora. Ele precisa amadurecer; precisa enfrentar adversrios  altura  eram os argumentos. Um dos chefes de fila da corrente, digamos, entreguista, era Tosto, o ex-craque Tosto, de resto to lcido em outros comentrios. "Ele precisa jogar com os craques", argumentava. No lhe ocorreu pedir o contrrio  que os craques se agrupassem no Brasil, para jogar com Neymar. Os tcnicos, por seu lado, a comear pelos dois da seleo, Parreira e Felipo, engrossavam o coro de que Neymar precisava da Europa para evoluir. No lhes ocorreu que, se os craques no evoluem aqui, a falha  deles. 
     Na prpria televiso, ela que tem um de seus maiores files nas transmisses de futebol, profissionais defendiam a ida de Neymar para o exterior. O plano secreto s pode ser passar a transmitir em horrio nobre os campeonatos europeus e relegar os brasileiros ao espao das divises inferiores. Os repetidos choros de Neymar, ao anunciar sua deciso, no revelam apenas quanto ele estava dividido, talvez at mais pendendo para ficar, ele que por aqui  dolo pop. Revelam tambm o verdadeiro motivo de sua sada. Ele vai para no ter de responder mais  irritante pergunta sobre quando afinal iria. Vai para no ouvir mais os comentrios de que devia ir. Fica-se pensando no destino dos milionrios estdios da Copa. Sero mais elefantes brancos ainda do que se supunha, retratos de um pas tolo, que faz como o empresrio que por uma mo investisse milhes em uma rede de teatros de pera e pela outra mandasse os cantores embora. 
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     Roberto Civita era um entusiasta. Entusiasta da imprensa, entusiasta da educao, entusiasta do Brasil, entusiasta da vida. Ao ouvir do interlocutor alguma observao que viesse ao encontro de seu entusiasmo por criar, por entender o mundo ou por corrigir o que lhe parecia errado, sacava da caneta e anotava, para no esquecer. O entusiasmo era o motor que lhe permitiu realizar grandes coisas. A taxa bruta de entusiasmo no Brasil est sensivelmente mais baixa, desde a noite do domingo, dia 26.


